| OTACÍLIO BATISTA (Otacílio Batista Patriota) |
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Poeta repentista, o mais novo dos três famosos irmãos Batista (além dele, Louro e Dimas), Otacílio Batista Patriota nasceu a 26 de setembro de 1923, na Vila Umburanas, São José do Egito, sertão pernambucano do Alto Pajeú. Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, ambos paraibanos, Otacílio participou pela primeira vez de uma cantoria em 1940, durante uma Festa de Reis em sua cidade natal. Daquele dia em diante, nunca mais abandonaria a vida de poeta popular. Em mais de meio século de repentes, participou de cantorias com celebridades como o Cego Aderaldo e outros. Conquistou vários festivais de cantadores realizados nos estado de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os folhetos de Cordel que Otacílio publicou estão os seguintes: A Morte do Ex-Governador Dix-Sept Rosado; Versos a Câmara Cascudo; Peleja de Zé Limeira com Zé Mandioca; Peleja do Imperador Pedro II com o Rei Pelé. Todos consagrados junto aos leitores nordestinos. Otacílio Batista publicou, ainda, vários livros. Entre os quais, destacam-se: Poemas que o Povo Pede; Rir Até Cair de Costas; Poema e Canções; e Antologia Ilustrada dos Cantadores, este último com F. Linhares. Versos de Otacílio foram musicados pelo compositor Zé Ramalho, dando origem à canção “Mulher Nova Bonita e Carinhosa”, gravada inicialmente pela cantora Amelinha e depois pelo próprio Zé Ramalho. A canção foi tema de um filme brasileiro sobre Lampião, o Rei do Cangaço. Otacílio Batista Patriota morreu a 05 de agosto de 2003, na cidade de João Pessoa, Paraíba. :: Otacílio Batista segundo o poeta Manuel bandeira Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira fez os seguintes versos: Anteontem, minha gente, Fui juiz numa função De violeiros do Nordeste Cantando em competição, Vi cantar Dimas Batista, Otacílio, seu irmão, Ouvi um tal de Ferreira, Ouvi um tal de João. Um a quem faltava um braço Tocava cuma só mão; Mas como ele mesmo disse, Cantando com perfeição, Para cantar afinado, Para cantar com paixão, A força não está no braço, Ela está no coração. Ou puxando uma sextilha, Ou uma oitava em quadrão, Quer a rima fosse em inha Quer a rima fosse em ao, Caíam rimas do céu, Saltavam rimas do chão! Tudo muito bem medido No galope do Sertão. A Eneida estava boba, O Cavalcanti bobão, O Lúcio, o Renato Almeida, Enfim toda comissão. Saí dali convencido Que não sou poeta não; Que poeta é quem inventa Em boa improvisação Como faz Dimas Batista E Otacílio seu irmão; Como faz qualquer violeiro, Bom cantador do Sertão, A todos os quais humilde Mando “minha saudação.” Mulher Nova Bonita e carinhosa (Otacílio Batista e Zé Ramalho) Numa luta de gregos e troianos Por Helena, a mulher de Menelau Conta a história que um cavalo de pau Terminava uma guerra de dez anos Menelau, o maior dos espartanos Venceu Paris, o grande sedutor Humilhando a família de Heitor Em defesa da honra caprichosa Mulher nova, bonita e carinhosa Faz o homem gemer sem sentir dor.
A mulher tem na face dois brilhantes Condutores fiéis do seu destino Quem não ama o sorriso feminino Desconhece a poesia de Cervantes A bravura dos grandes navegantes Enfrentando a procela em seu furor Se não fosse a mulher mimosa flor A história seria mentirosa Mulher nova, bonita e carinhosa. Faz o homem gemer sem sentir dor.
Virgulino Ferreira, o Lampião. Bandoleiro das selvas nordestinas Sem temer a perigos nem ruínas Foi o rei do cangaço no Sertão Mas um dia sentiu no coração O feitiço atrativo do amor A mulata da terra do condor Dominava uma fera perigosa Mulher nova, bonita e carinhosa. Faz o homem gemer sem sentir dor.
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