Aconteceu no sábado (26/MAR/11) no Marcellu's Bar, em São José do Egito - a Capital da Poesia - o lançamento do livro "CASEBRES, CASTELOS E CATEDRAIS" do poeta, ensaísta, professor, teatrólogo, crítico literário, escritor e fomentador cultural Nenen Patriota.
Fazem algumas décadas que Nenen Patriota é o porta-voz perene da cultura egipiciense e pajeuzeira. Ele sempre se mantém - e resiste em se manter - envolvido nos mais diversos eventos culturais, religiosos e políticos realizados na região. Na Festa Universitária, cantorias, congressos de violeiros, produções teatrais e no mais expressivo, criativo e mensalmente editado Quintal da Cantoria.
Nota de marcello Patriota
Chárliton Patriota Leite ou NENÉM PATRIOTA, nasceu em 27 de junho de 1961, na Cidade de Itapetim – PE, filho do segundo casamento de Simão Leite Ferreira, que fora Prefeito de Itapetim / PE, e Maria Madalena Patriota Leite, irmã dos “irmãos Batista”: Lourival, Dimas e Otacílio.
Graduado em Letras pela faculdade de formação de professores de Arcoverde – PE, atua como professor de História e Educação Artística.
Por seu envolvimento em movimentos artístico-culturais, chegou a exercer os cargos de Vereador e Secretário de cultura do Município de São José do Egito / PE, onde voltou a residir desde 1990. Dos 11 aos 29 anos de idade, estudou, trabalhou e fez parte dos movimentos sociopolíticos e culturais da capital pernambucana, onde residiu por este tempo.
Oriundo de família de poetas, desde jovem, Nenen Patriota dedicou-se á poesia, muito embora não seja cantor de profissão. Suas poesias tratam, principalmente, de temas sociais, nos quais denuncia as injustiças sociais, as quais retratam seu engajamento, desde jovem, em movimento político-sociais, quando chegou a ser um dos “Caras Pintadas”, no movimento em favor do “Impeachment” do Presidente Fernando Collor (1992).
Atualmente Neném Patriota exerce as funções de professor e é Secretário de Cultura do Município de São José do Egito.
Dentre os versos de Nenen Patriota, destaca-se o soneto ”Itapetim”, em que o poeta declara seu amor a sua terra natal:
I Minha origem, meu berço, meu começo A partida e o ponto inicial Manjedoura e quem eu guardo apreço Minha terra, meu campo, meu trigal
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II Só três anos ali meu endereço Outro berço foi meu manancial Pedras soltas – confesso – não esqueço Que de mim tu és a fonte vital
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III Não me culpe pelo distanciamento Porque sei ter o reconhecimento Á primeira semente germinada |
IV Foi aí que surgiu a minha vida Sou somente uma pedra removida Que o destino jogou em outra estrada |
O Secretário de Cultura durante evento com a participação de Eloi & Lucivaldo (Grupo Novo Som)

Abaixo, o poema intitulado “Catedrais do Tempo”:
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I
Nunca diga que o tempo foi covarde
E nem viva de tais vitimações
Nunca afirme que o tempo chegou tarde
Sem voçê ter notado as transsições
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II
Jamais pense em fazer a “mea culpa”
E nem queira tentar ser o juiz
Pois o tempo não cabe na desculpa
De quem pouco buscou prá ser feliz
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III
Não há tempo cruel se o tempo todo
Voçê tem todo o tempo destinado
Pra formar sua vida sem engodo
Sem sentir o seu tempo consumado
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IV
Foi o tempo de um tempo de inocência
Onde o tempo voou sem ser notado
E voçê não usou a consciência
Para o tempo no tempo planejado
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| V
Algums culpam no tempo o mau exemplo
Do seu mundo por fim já moribundo
Mas não buscam na vida erguer o templo
De concreto na construção do mundo
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VI
Não me venha dizer que o tempo acaba
Pois o tempo com o tempo é sintonia
E se o tempo sem tempo se desaba
Foi voçê quem perdeu a travessia
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VII
Nossa vida é um elo em que se esconde
Toda fase de busca pela glória
Quem na vida não quis pegar o bonde
Se perdeu porque quis na trajetória
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VIII
Quem quiser que pratique a ousadia
Construindo a seu tempo o que propôs
Quem espera e não luta se angustia
E sem chamas se culpará depois
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| IX
Se viver é transitoriedade
Ou estágio com prazo indefinido
O relógio fugaz, veloz invade
E o vale da vida é consumido
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X
Se é o tempo cruel devastador
Que corrói, dilapida e assassina
É o homem o vil destruidor
Suicida e autor de tal ruína
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| XI
O que vale no tempo é construção
Na defesa da coletividade
E quem planta o jardim da doação
Se tem um contratempo:o desengano
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XII
O que há é temor da própria morte
É querer contra a sorte resistir
E se o ciclo da vida tem um norte
Só é forte quem sabe resistir
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| XIII
Nosso tempo tem mês, dia , semana
Tem minuto, tem hora, era e ano
De segundo em segundo o tempo emana
Mas tem um contratempo: o desengano
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XIV
É o tempo infecundo e irreal
Na verdade um inverossímil astro
Invulgar, invisível, virtual
Que não deixa na trilha sombra ou rastro
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XV
Quando o homem tiver o privilegio
De poder demarcar os tempos seus
Vai enfim redimir o sacrilégio
Descobrindo que o tempo é o seu Deus
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XVI
Quem souber construir cada momento
Sem perder-se na nau dos vendaveis
Vai sentir o real contentamento
De ancorar o seu barco lá no cais
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| XVII
Mas o homem na vida se depara
Com o frágil reflexo da razão
E se a cena do filme por fim pára
“É o tempo o tutor da frustração”
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XVIII
É na paz de espírito conquistada
Que se brota no tempo os ideais
E no fim da missão e da jornada
Nem o tempo destrói as catedrais
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| XIX
Quando o tempo passar, se consumir
Eu não vou reclamar e pedir mais
Quero apenas – talvez – me despedir
E pra sempre poder dormir em paz
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XX
Os folósofos: bravos precursores
Temporais dos estudos da razão
Em templários tais sábios pensadores
Pesquisaram do tempo as impressões
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| XXI
Nenhum deu parecer oficial
Não se pôde aferir as ilações
Eu também boto o meu pronto final
Sem ter tempo pra mais divagações...
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