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NENÉM PATRIOTA (Chárliton Patriota Leite) PDF Imprimir E-mail

Chárliton Patriota Leite ou NENÉM PATRIOTA, nasceu em 27 de junho de 1961, na Cidade de Itapetim – PE, filho do segundo casamento de Simão Leite Ferreira, que fora Prefeito de Itapetim / PE, e Maria Madalena Patriota Leite, irmã dos “irmãos Batista”: Lourival, Dimas e Otacílio.

Graduado em Letras pela faculdade de formação de professores de Arcoverde – PE, atua como professor de História e Educação Artística.

Por seu envolvimento em movimentos artístico-culturais, chegou a exercer os cargos de Vereador e Secretário de cultura do Município de São José do Egito /  PE, onde voltou a residir desde 1990. Dos 11 aos 29 anos de idade, estudou, trabalhou e fez parte dos movimentos sociopolíticos e culturais da capital pernambucana, onde residiu por este tempo.

Oriundo de família de poetas, desde jovem, Nenen Patriota dedicou-se á poesia, muito embora não seja cantor de profissão. Suas poesias tratam, principalmente, de temas sociais, nos quais denuncia as injustiças sociais, as quais retratam seu engajamento, desde jovem, em movimento político-sociais, quando chegou a ser um dos “Caras Pintadas”, no movimento em favor do “Impeachment” do Presidente Fernando Collor (1992).

Atualmente Neném Patriota exerce as funções de professor e é Secretário de Cultura do Município de São José do Egito.

Dentre os versos de Nenen Patriota, destaca-se o soneto ”Itapetim”, em que o poeta declara seu amor a sua terra natal:

I
Minha origem, meu berço, meu começo
A partida e o ponto inicial
Manjedoura e quem eu guardo apreço
Minha terra, meu campo, meu trigal
II
Só três anos ali meu endereço
Outro berço foi meu manancial
Pedras soltas – confesso – não esqueço
Que de mim tu és a fonte vital
 III
Não me culpe pelo distanciamento
Porque sei ter o reconhecimento
Á primeira semente germinada
 IV
Foi aí que surgiu a minha vida
Sou somente uma pedra removida
Que o destino jogou em outra estrada

 

O Secretário de Cultura durante evento com a participação de Eloi & Lucivaldo (Grupo Novo Som)


 

Abaixo, o poema intitulado “Catedrais do Tempo”:

I

Nunca diga que o tempo foi covarde

E nem viva de tais vitimações

Nunca afirme que o tempo chegou tarde

Sem voçê ter notado as transsições

II

Jamais pense em fazer a “mea culpa”

E nem queira tentar ser o juiz

Pois o tempo não cabe na desculpa

De quem pouco buscou prá ser feliz

III

Não há tempo cruel se o tempo todo

Voçê tem todo o tempo destinado

Pra formar sua vida sem engodo

Sem sentir o seu tempo consumado

IV

Foi o tempo de um tempo de inocência

Onde o tempo voou sem ser notado

E voçê não usou a consciência

Para o tempo no tempo planejado

V

Algums culpam no tempo o mau exemplo

Do seu mundo por fim já moribundo

Mas não buscam na vida erguer o templo

De concreto na construção do mundo

VI

Não me venha dizer que o tempo acaba

Pois o tempo com o tempo é sintonia

E se o tempo sem tempo se desaba

Foi voçê quem perdeu a travessia

VII

Nossa vida é um elo em que se esconde

Toda fase de busca pela glória

Quem na vida não quis pegar o bonde

Se perdeu porque quis na trajetória

VIII

Quem quiser que pratique a ousadia

Construindo a seu tempo o que propôs

Quem espera e não luta se angustia

E sem chamas se culpará depois

IX

Se viver é transitoriedade

Ou estágio com prazo indefinido

O relógio fugaz, veloz invade

E o vale da vida é consumido

X

Se é o tempo cruel devastador

Que corrói, dilapida e assassina

É o homem o vil destruidor

Suicida e autor de tal ruína

XI

O que vale no tempo é construção

Na defesa da coletividade

E quem planta o jardim da doação

Se tem um contratempo:o desengano

XII

O que há é temor da própria morte

É  querer contra a sorte resistir

E se o ciclo da vida tem um norte

Só é forte quem sabe resistir

XIII

Nosso tempo tem mês, dia , semana

Tem minuto, tem hora, era e ano

De segundo em segundo o tempo emana

Mas tem um contratempo: o desengano

XIV

É  o tempo infecundo e irreal

Na verdade um inverossímil astro

Invulgar, invisível, virtual

Que não deixa na trilha sombra ou rastro

XV

Quando o homem tiver o privilegio

De poder demarcar os tempos seus

Vai enfim redimir o sacrilégio

Descobrindo que o tempo é o seu Deus

XVI

Quem souber construir cada momento

Sem perder-se na nau dos vendaveis

Vai sentir o real contentamento

De ancorar o seu barco lá no cais

XVII

Mas o homem na vida se depara

Com o frágil reflexo da razão

E se a cena do filme por fim pára

“É o tempo o tutor da frustração”

XVIII

É na paz de espírito conquistada

Que se brota no tempo os ideais

E no fim da missão e da jornada

Nem o tempo destrói as catedreis

XIX

Quando o tempo passar, se consumir

Eu não vou reclamar e pedir mais

Quero apenas – talvez – me despedir

E pra sempre poder dormir em paz

XX

Os folósofos: bravos precursores

Temporais dos estudos da razão

Em templários tais sábios pensadores

Pesquisaram do tempo as impressões

XXI

Nenhum deu parecer oficial

Não se pôde aferir as ilações

Eu também boto o meu pronto final

Sem ter tempo pra mais divagações...

 

 
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