Conheça o estilo de Raquel Galvão, umas da meninas do bordel de "A Favorita"
do PopTevê
Quando questionada sobre quem considera um exemplo de elegância, Raquel Galvão não hesita: Agostinho Carrara, o taxista suburbano vivido por Pedro Cardoso em "A Grande Família". Por aí, dá para perceber que a intérprete da Melissa - uma das "meninas" do bordel de Cilene, vivida por Elizângela - em "A Favorita" não é lá muito adepta de padrões estéticos tradicionais.
Nascida em Afogados da Ingazeira, sertão de Pernambuco, ela conta que, antes de sair de lá para seguir carreira de modelo em São Paulo, já gostava de chocar. "Eu ia para o forró de meia-calça e blusa preta, saia lilás, maquiagem carregada e com uns dreads no cabelo. Sentia-me confortável na minha estranheza", diverte-se, durante a sessão de fotos.
Mas o estilo "único" não impede que Raquel siga determinados padrões. A linha "básica", por exemplo, ela adora. Tanto que a atriz, que nunca dispensou xadrez e estampas variadas, está numa fase em que prefere cores mais sóbrias, como o preto e o branco. "Também estou aprendendo a gostar de dourado, que até pouco tempo considerava cafona", acrescenta. Peças que explorem a feminilidade também estão em alta em seu guarda-roupa. Antes adepta de bonés e calça comprida, ela vem aderindo às saias e decotes, além dos inseparáveis saltos, que ela jura se equilibrar tranqüilamente pelo tempo que for preciso. "Tinha um estilo meio menino. Vergonha de usar decote, saia... Agora estou mais mulher, menos 'menininha'", avalia.
Nada fiel a grandes marcas, a atriz de 21 anos também adora garimpar peças em brechós e supermercados. Ela conta que há tempos procurava um blazer preto de determinado modelo e nunca encontrava. Até que, enquanto fazia compras em um hipermercado, deparou-se com o "perfeito". Na época em que trabalhou como modelo na África do Sul, por exemplo, ela jura ter encontrado peças "incríveis" em brechós. "Até uso roupas de marca, mas não ligo para isso. Dá para encontrar coisas lindas em lugares alternativos", ensina ela, que tira qualquer maquiagem ou penteado de letra. "Também sei fazer as unhas, me depilar... Me viro numa boa, e é bom porque fica do meu jeito", garante.
Quando tinha 15 anos, Raquel resolveu sair de sua cidade natal e ir para Recife atrás do sonho de ser modelo. Algumas decepções depois, ela conseguiu contato com uma agência então recém-inaugurada de São Paulo que a escalou para seu "casting". Em um mês, estava em Milão. Mas odiou a experiência. "É muito difícil ficar longe de todo mundo, num país que não fala a sua língua", explica. Na volta, estava decidida a largar tudo quando surgiram oportunidades de trabalho na África do Sul. Aí sim, valeu a experiência. "Só reforçou a minha paixão pela moda. Adoro tudo, principalmente fotografar", aponta.
A estréia na TV aconteceu após Raquel ser aprovada no teste para a Oficina de Atores da Globo, em agosto de 2007. Em março deste ano, ela teve a notícia de que estava no elenco de "A Favorita". "Descobri o quão maravilhosa é a interpretação. Poder liberar emoções sem compromisso é fascinante", diz. Na pele de uma prostituta, ela conta que conversou com várias profissionais do ramo e surpreendeu-se com tal universo. "Elas sofrem preconceito, mas não são encucadas. São felizes e falam de tudo sem pudor", conta, fazendo um paralelo à personagem que interpreta. "Ela é prostituta, hippie e nordestina. Uma comédia só, e acho o máximo ser um núcleo engraçado e nada apelativo", encerra, com sotaque para lá de carregado.
O Perfil traçado desta vez é de uma new face que vem do interior de Pernambuco. Raquel Nunes, 18 anos (completados recentemente), é uma das próximas modelos “de capa” do No Tricks.
A infância simples, passada na cidade de Afogados da Ingazeira, conflita com o rosto sofisticado da loirinha de olhos penetrantes cor-de-mel. Ela vem fazendo sucesso no mundo fashion paulistano, onde já desfilou por exemplo, para o estilista Caio Gobbi.
Nós a conhecemos em um casting da sua agência. A atitude de neo-top logo destacou Raquel das colegas. Convidamos a menina, que adora usar boné preto e beber coca-cola, para ilustrar um de nossos ensaios fotográficos.
O tema escolhido foi o de uma turista estrangeira apaixonada pelo Brasil. As fotos foram feitas num dia ensolarado, nas praias do Litoral Sul de Pernambuco. O ensaio será publicado aqui no site, na primeira semana de abril (http://www.notricks.com.br/perfil/p2/perfil.htm).
Entre tantas reuniões e encontros com Raquel, decidimos fazer uma entrevista com ela. Afinal, ô garotinha com história para contar!
Deb: Quando você resolveu ser modelo? Raquel: Me diga uma coisa, cabem quantos minutos nesse gravador? É uma longa história, mas vou resumir.
Eu tinha treze anos e todos falavam: “tu é alta, magra e tem que ser modelo”. Eu era muito tímida. Ia nas festas e dizia que não sabia dançar, preferia ficar sozinha. Um dia me deu a doida, fiquei enchendo mainha e resolvi ir para Recife.
Deb: Mas você não conhecia nada, nem ninguém. O que fez? Raquel: Procurei nos jornais até achar um curso para modelos. Era aos sábados. Eu não tinha onde ficar na cidade. O que fiz? Saía de Afogados da Ingazeira às sextas-feiras, chegava em Recife no sábado para assistir às aulas de manhã, e só voltava às 11 da noite, chegando em casa já na manhã de domingo. Isso durante um mês e meio.
Deb: Isso saía caro? Raquel: Houveram dois sábados onde eu não consegui dinheiro para a viagem, mas eu tinha que ir para as aulas! O que aconteceu? Fiquei desesperada! Vendi uma bicicleta e uma televisão que ganhei do meu pai. A bicicleta valia uns cem reais e eu vendi por setenta! Consegui terminar o curso, participei de um concurso e fiquei em terceiro lugar.
Deb: Terceiro lugar? Mas e aí, depois do concurso, mudou alguma coisa? Raquel: Eu tinha treze anos e não tinha muita experiência. Além disso, mainha ficou doente na época. Eu acabei desistindo. Só depois, já com quinze anos, resolvi morar em Recife.
Deb: E deu certo? Raquel: Não! Eu não conhecia nada em Recife. Fiquei cinco meses sem sair de casa. Me desesperei e resolvi voltar para Afogados.
Deb: Você ficou feliz com a volta? Raquel: Meu Deus, foram os melhores meses da minha vida! Eu ia a muitas festas com meu irmão. Você conhece aqueles carros de levar material de construção? Eu vivia pegando carona em carros desse estilo. Colocava um paninho pra sentar e uma meia calça no meu cabelo. Depois era só tirar a meia da cabeça e curtir a festa!
Deb: Gostei da idéia sobre a meia calça! Você parece muito orgulhosa de ter nascido em Afogados da Ingazeira. O que tem de tão bom lá? Raquel: Minhas amigas, mainha e meu irmão! Também tinha lá um namorado, mas acabou.
Deb: Você está solteira? Raquel: Solteira sim, solteiríssima! Quero namorado agora não! Também não quero casar, é um atraso de vida. Saturou já. Agora tenho que ganhar dinheiro e não namorar. Saí da minha cidade para trabalhar.
Deb: E se você ficasse milionária, continuaria morando em Afogados? Raquel: Milionária? "Risos". Para ser sincera, se eu pudesse nascer de novo, eu nasceria lá mesmo. Se eu tivesse muito dinheiro poderia até morar em outro lugar, mas não abriria mão de ter meu canto na minha cidade. É pequena, mas tem de tudo um pouco.
Deb: Agora mudando de assunto... você se acha bonita? Raquel: Não! Eu sou meio louca. Aliás, eu não acho pessoas bonitas interessantes.
Deb: Entendi. Então você gosta de gente feia? Raquel: É, mas não sei bem porquê. Sabe aquela pessoa perfeitinha? Eu não acho interessante!
Deb: Você nunca se acha bonita? Em nenhum momento? Raquel: Ah, não sei! Eu tenho as pernas finas. Quando estou de salto alto, melhoram. Tem horas que eu até me acho bonitinha. Eu fico no espelho e gosto de reparar meus defeitos, sou realista!
Deb: Perna fina você considera um defeito, tem mais algum? Raquel: Parece até loucura, mas eu acho o meu olho esquerdo mais bonito do que o direito. Eu tenho muitos defeitos! Mas não mudaria nada em mim. Minhas pernas, por exemplo, se eu pudesse mudar, não mudaria. Apesar delas serem feias, eu gosto delas assim!
Deb: Você é uma anti-plástica? Raquel: Não sei se faria uma plástica num momento de desespero, ninguém sabe né? Não colocaria silicone.
Deb: O começo da carreira é bem difícil, mas você acha que já chegou a um patamar bom, ou ainda não? Raquel: Se eu tivesse que deixar a carreira agora por algum motivo, eu estaria feliz. Sem brincadeira nenhuma, já passei por muitas dificuldades...
Deb: Então, já é uma vitória! Raquel: Eu não gosto de julgar uma vitória como um todo. Cada dia é uma vitória!
Deb: Ser modelo em São Paulo traz muitas dificuldades? Raquel: Eu gosto de dificuldades! Já passei por muitas e acho legal. É como uma ladeira... quanto mais você desce, mais você pega velocidade e quando você sobe, é de uma vez! Eu só choro de saudades. O fato de passar por muitas dificuldades me dá mais garra, me dá mais resistência às circunstâncias.
Deb: Dê um exemplo! Raquel: Sendo do interior de onde eu sou, se minha mãe tivesse muito dinheiro, eu não lutaria tanto pelos meus objetivos.
Deb: E sacrifícios? Você faz algum para manter o peso? Raquel: Não faço nenhum regime! Gosto de feijão, arroz e carne. Eu odeio galinha! Não como frango, nem cozido e nem assado. Mas eu sou louca por coxinha e pastel de frango com catupiry. Sou muito ocupada. Só como quando tenho tempo.
Deb: Até quando você pretende ser modelo? Raquel: Enquanto eu me sentir bem fazendo isso. Sinto prazer em desfilar e tirar fotos. A partir do momento que eu estiver só pelo dinheiro, eu desisto. Vou fazer outra coisa. Penso em fazer gastronomia. Gosto de estar hoje aqui e amanhã em outro lugar. Odeio rotina!
Deb: Então se você ficar rica como modelo, vai abrir um restaurante? Raquel: Eu investiria em coisas diferentes. Tem uma amiga minha que está fazendo farmácia. Se eu tiver dinheiro, abriremos uma sociedade. Não quero muito dinheiro. Não sou apegada a coisas materiais. Roupa por exemplo, quanto mais barata melhor!
Deb: Quais as coisas que mais te irritam no "meio" da moda? Raquel: A parte ruim de ser modelo é esperar. Muito chato! Você passa muitas horas esperando por um desfile de dez minutos. Mas eu durmo muito. Fico cochilando, conversando... Não vejo lado ruim. Nós é que fazemos o lado ruim. Sou sem stress.
Deb: Mas deve ter alguma coisa que te irrita. Tem? Raquel: Tem que ser surreal. A única coisa que me irrita é quando mainha dá razão ao meu irmão, mesmo quando ele está errado. Só por ele ser homem! Minha mãe é divorciada, meu irmão acompanha ela em tudo. Tudo é do jeito que o meu irmão quer, isso me irrita!
Deb: Somente isso te tira do sério? Raquel: É. Eu nunca grito com ninguém. Eu procuro entender e quando não consigo, fico calada. Discutir é perda de tempo.
Deb: E a correria em São Paulo? Como é? Raquel: Casting todos os dias. Não vejo as outras meninas como concorrentes, o mercado é grande. E como dizem “o que é seu está guardado”.
Deb: Você tem exatos 1,74m. Você acha que modelos mais altas levam algum tipo de vantagem sobre você? Raquel: Não vejo muito por esse lado. Para mim o que mais conta é a atitude na passarela.
Deb: Quais seus objetivos na carreira? Raquel: Não penso nisso. Quem coloca objetivos na minha vida é Deus. Tinha muitas coisas na minha vida que eu achava impossíveis de acontecerem e ele fez com que acontecessem. Até onde ele achar que eu devo ir, eu vou.
Deb: Mas até onde você quer chegar? Raquel: Quero que me reconheçam pela garra. Muita gente não acreditava que eu poderia ser modelo. Sempre escuto pessoas dizendo que eu sou baixa, feia e muito magra. Quero mostrar que sou capaz!
Deb: Você faria campanha de uma marca que você não gosta por dinheiro? Raquel: Não! Nada por dinheiro, não me vendo. Faço apenas quando eu gosto.
Deb: Verdade que você gostava de bater papo na Internet? Raquel: Até hoje eu gosto. "Majestade Bozo" era meu nick. Eu fazia amigos lá e o meu apelido era Bozo. Eu gosto dessas coisas, não faço propaganda dizendo que sou modelo. Só se me perguntarem.
Deb: Você sempre foi acelerada e meio moleca? Raquel: Sempre. Eu aprontei muito quando criança lá em Afogados da Ingazeira. Eu adorava AS Infantil, achava gostoso. Uma vez minha mãe saiu de casa, eu peguei duas cartelas e engoli todos. Quando acordei no outro dia, estava cheia de manchas. Eu tinha uns 8 anos.
Deb: Ouvi dizer que você tem medo de nadar. Esse medo vem da infância também? Raquel:Sim, sou traumatizada. Uma vez, na casa de um amigo, estava na piscina quando a bóia saiu do meu braço. Quase me afoguei para valer. Eu tinha doze anos. Um outro amigo me viu e me salvou. É bem legal a experiência de uma pessoa te salvar.
Deb: Para terminar a entrevista, me diga: você gostou de fazer o ensaio para o No Tricks? Raquel:Sim, claro. Gostei muito. Por falar nisso... Quando é que minhas fotos entram no ar?
Deb: Está previsto para o dia 1º de abril. E não é papo-furado! Raquel:Quero só ver! Risos... Texto por Débora Dia
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